Viajar, qualquer que seja a viagem, pode ser visto como uma pequena representação da vida. Se entendermos vida como uma jornada, com início, meio e fim. Cada viagem guarda em si um pequeno universo analógo ao que experimentamos em nossa jornada maior. Começamos, seguimos em frente, passamos por obstáculos ou não, mudamos de rota. Em vários pontos acabamos conhecendo pessoas que serão importantes ou não, que nos marcarão ou não. Algumas dessas pessoas, independente delas terem sido importantes ou não, nunca mais veremos de novo. Ficarão em nossas memórias, mas talvez elas jamais apareçam de novo.

Por do Sol visto pela janela do ônibus no Espirito Santo
Uma hora chegamos ao destino. Destino que pode ser o destino final ou aquele destino de alguma outra jornada intermediária qualquer. O cume que ambicionavámos chegar e para o qual enfrentamos todas as sortes de percalços e desafios. Então descobrimos que o cume, o destino, não era nada do que queríamos e que a estrada que pegamos até ali era mais empolgante. E assim, vamos seguindo de viagens em viagens, odisséias atrás de odisséias, não em busca de fugirmos de nós mesmos e sim de encontramos com nós mesmos. Porque mais do que conhecer novos lugares, novas culturas e novas pessoas, para além de tudo isso, no meio de tudo isso, vamos acabar nos encarando de um modo diferente do que nos encarávamos no começo do caminho. Viajar pode nos fazer sentir livres ou vermos que não sabíamos o que pensavamos saber. Quando viajamos percebemos como ter um lugar para voltar é bom, mesmo que seja voltar apenas para planejar a próxima viagem. Ainda que canse seu corpo, descansa a sua mente. Além de sempre nos lembrarmos quem são as pessoas que realmente amamos. Cair na estrada é um terapia.

Eunápolis - Bahia
Sejam estas viagens para um destino tão distante como a Bahia, como por vezes a Bahia parece para quem mora no Rio de janeiro, seja para algum lugar tão perto quanto um subúrbio carioca qualquer. Mais vale aqui o relato de alguma jornada psicológica e sentimental que sempre vou querer compartilhar. Como uma espécie de Road Movie pessoal.

Chegando a Belo Horizonte, cansado e sujo, mas satisfeito.